Cenário Macroeconômico

O mês de fevereiro foi marcado por um desempenho misto nos mercados globais. Nos Estados Unidos, as discussões se concentraram nas possíveis transformações que o avanço da inteligência artificial poderá causar na economia, influenciando o desempenho desigual entre os
principais setores da bolsa. Dessa forma, o S&P500 recuou 0,9% no mês, enquanto o Russell2000 (+0,7%) e o Nasdaq (-3,4%) refletiram essa divergência entre os setores. Além disso, episódios isolados no mercado de crédito também levantaram um sinal de alerta em um momento em que os índices se encontram em níveis historicamente elevados. Essas preocupações também levaram a uma reversão da trajetória observada no mercado de juros e moeda. O juro de 10 anos nos EUA fechou 0,29 p.p. (3,94%), atingindo o nível mais baixo desde 2024, enquanto o dólar americano apreciou 0,64% após três meses consecutivos de queda. Essa mudança de tendência nos ativos americanos, por outro lado, não afetou o desempenho de outras regiões. Na Europa, o STOXX600 subiu 3,7% no período.

Na Ásia, o destaque segue para a forte performance do índice sul-coreano (KOSPI +19,5%). Por fim, os mercados emergentes seguiram beneficiados pela realocação de fluxos globais (MSCI EM +5,4%). No lado econômico, as atenções seguem concentradas nos sinais apresentados pela economia americana e em suas implicações para a política monetária. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos apresentou alta de 0,2% na comparação mensal, abaixo das expectativas do mercado. Adicionalmente, o bom comportamento do segmento de bens, a contínua desinflação de serviços e as expectativas de inflação ancoradas permitem a manutenção de um viés para cortes adicionais na taxa de juros em 2026.

CENÁRIO GLOBAL

Por outro lado, o timing para a retomada desses cortes parece mais incerto no momento. Afinal, apesar do bom comportamento da inflação, a atividade econômica apresenta um quadro mais nebuloso. O PIB americano deve crescer mais de 2% em 2025 e acelerar para um ritmo de 2,5% em 2026, segundo a mediana do mercado. Nesse cenário, tanto fatores estruturais, como os investimentos em inteligência artificial, quanto fatores mais pontuais, como os efeitos de estímulos fiscais, devem corroborar esse desempenho positivo da economia americana. A incerteza, no entanto, reside no impacto dessas novas tecnologias sobre o mercado de trabalho americano, pois, ao passo que os novos investimentos favorecem o crescimento estrutural, também podem gerar aumento do desemprego em setores mais afetados pelas transformações. As dúvidas em relação à intensidade e ao timing dessas mudanças colocam o Banco Central em modo de espera. Com isso, reforçamos o cenário de dois cortes adicionais na taxa de juros, porém concentrados no segundo semestre do ano. Além das discussões de política monetária nos Estados Unidos, este início de ano tem sido marcado por fortes repercussões no campo geopolítico, com destaque para a operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, episódio que novamente ilustra a imprevisibilidade e a política externa agressiva de Donald Trump. Muitos fatores levantam dúvidas sobre a duração do conflito. Haveria interesse americano em prolongar sua participação nesse conflito militar? Existe o objetivo de influenciar de maneira mais significativa no processo de mudança de regime?

O Irã teria capacidade militar para suportar a quantidade de ataques americanos e israelenses? Em suma, o cenário global segue condicionado principalmente aos desdobramentos da economia americana, mas com riscos importantes a serem monitorados à frente. As preocupações geopolíticas e as discussões estruturais na economia americana foram os principais responsáveis pelo aumento da incerteza e pela maior volatilidade dos mercados americanos. Por outro lado, no mês de fevereiro, não houve reversão do fluxo de investimentos em busca de outras geografias, que seguiu beneficiando outras bolsas globais.

CENÁRIO BRASIL

No cenário doméstico, os ativos locais mantiveram a sequência positiva dos últimos meses. O Ibovespa avançou 4,1%, registrando o sétimo mês consecutivo de alta. As taxas de juros locais recuaram no período, com destaque para os vértices mais curtos. A taxa de câmbio, por sua vez, seguiu como uma das moedas com melhor desempenho no período, encerrando o mês abaixo de R$ 5,15. Boa parte desse desempenho positivo continua tendo como principal pano de fundo o fluxo de investimentos globais para mercados emergentes. Os dados compilados pela B3 registraram uma entrada de R$ 15,4 bilhões em fevereiro, acumulando R$ 41,7 bilhões no ano. Do lado econômico, as atenções seguem concentradas no ritmo de desaceleração da atividade e em seus impactos para a política monetária. O resultado do PIB do quarto trimestre reforça o processo de desaceleração em curso, com crescimento de apenas 0,1% na comparação trimestral, segundo trimestre consecutivo com resultado próximo da estabilidade. Com isso, o crescimento em 2025 foi de 2,3%. Apesar de ainda acima do crescimento potencial, o resultado representa uma desaceleração em relação à média dos últimos anos. No entanto, as primeiras informações de 2026 ainda indicam um processo de desaceleração gradual. Além da melhora recente nos dados de confiança, o mercado de trabalho segue resiliente, com a taxa de desemprego em mínimas históricas. Além disso, o efeito dos estímulos fiscais concentrados no início do ano se apresenta como um risco altista para o PIB do primeiro trimestre de 2026. No campo da inflação, as notícias foram desfavoráveis na margem, mas sem alterar o pano de fundo dos últimos meses.

Após uma longa sequência de surpresas baixistas, o IPCA-15 de fevereiro superou as expectativas do mercado ao registrar alta de 0,84% no mês.

Grande parte da surpresa, no entanto, ficou concentrada em itens de maior volatilidade, como passagens aéreas, e, mais importante, não alterou a trajetória de acomodação observada nos últimos meses. Em termos anuais, a inflação desacelerou de 4,5% para 4,1% em fevereiro. Portanto, a combinação de um processo de desaceleração da atividade com um ambiente benigno de inflação permite ao Banco Central iniciar o processo de afrouxamento monetário na próxima decisão. No entanto, os riscos altistas para a atividade no primeiro trimestre e as incertezas em relação aos riscos geopolíticos e seus efeitos sobre o ambiente local devem manter o Banco Central com uma postura mais cautelosa em um primeiro momento. Dessa forma, mantemos nossa expectativa de corte de 0,5 p.p. na reunião de março e uma taxa de juros terminal de 12,50%. No campo político, as atenções se voltam para as eleições de 2026. Embora ainda relativamente distantes, o potencial de alternância de poder torna o tema cada vez mais relevante para os mercados. Do lado do governo, o balanço da atual administração segue negativo. Os índices de reprovação permanecem em patamares historicamente elevados para o governo Lula, e o ambiente econômico mais favorável, com inflação em desaceleração e mercado de trabalho forte, ainda não se mostrou suficiente para uma reversão desse quadro. Do lado da direita, a candidatura de Flávio Bolsonaro ganhou corpo com a melhora recente nas pesquisas, o que o mantém como candidato relevante para as eleições presidenciais e reforça o fator de incerteza quanto ao resultado eleitoral. Isso não elimina necessariamente a possibilidade de alternância de poder, mas reforça a leitura de um caminho mais turbulento até a definição eleitoral. Em suma, os ativos domésticos seguem fortemente influenciados pelo ambiente externo mais favorável para mercados emergentes. Além disso, a maior clareza em relação ao início do processo de flexibilização dos juros trouxe alívio adicional para as taxas de juros locais. No campo político, a disputa eleitoral de 2026 já se consolida como o principal tema de médio prazo, ainda marcada por incertezas quanto ao rumo da oposição e à capacidade do governo de sustentar ganhos de popularidade em um ambiente mais volátil.

Desempenho mensal por estratégia

Ações

Desempenho mensal e atribuição de performance

O principal destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Copel. Durante o mês a companhia divulgou resultados do 4T25 em linha com o consenso. O EBITDA ajustado apresentou um crescimento de 16% a/a, principalmente devido ao aumento da participação em ativo de transmissão, à redução dos custos gerenciáveis e aos ganhos de modulação do portfólio de geração hidrelétrica. Outro destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Panvel. Durante o período, a companhia realizou seu Investor Day, no qual divulgou o guidance de médio prazo para 2026–2030. A empresa projeta encerrar a década com receita bruta entre R$ 11,5 bilhões e R$ 12 bilhões
(versus aproximadamente R$ 6 bilhões atualmente), margem EBITDA entre 6,7% e 7% (ante 5% hoje) e um total de 950 a 1.000 lojas (comparado às 650 atuais). O anúncio foi bem recebido pelo mercado, reforçando a confiança na capacidade da companhia de entregar crescimento consistente de receita e resultados nos próximos anos.

O principal destaque negativo do mês foi nossa posição comprada em Ecorodovias. Durante o mês, a companhia divulgou os dados de tráfego referentes a janeiro de 2026, que apontaram crescimento de apenas 0,5% na comparação anual, desacelerando em relação ao avanço de 3,9% observado ao longo de 2025. A leitura mais fraca reforçou preocupações quanto ao ritmo de atividade e ao pote

 

ncial de crescimento de receita no curto prazo, pressionando a percepção do mercado sobre a dinâmica operacional da companhia.

 

O principal destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Copel. Durante o mês a companhia divulgou resultados do 4T25 em linha com o consenso. O EBITDA ajustado apresentou um crescimento de 16% a/a, principalmente devido ao aumento da participação em ativo de transmissão, à redução dos custos gerenciáveis e aos ganhos de modulação do portfólio de geração hidrelétrica. Outro destaque positivo do mês foi nossa posição em Suzano. A companhia reportou resultado acima das expectativas para o 4T25, com EBITDA 10% acima do consenso, um novo programa de buyback equivalente a 4,6% do float e redução de capex para 2026 frente o montante de 2025. Entretanto, o destaque fica para o call de resultado, onde a empresa comentou de um mercado mais apertado de celulose para o ano, com restrição de oferta por conta da Indonésia, aumentos de preço sendo bem recebidos, estoques na cadeia sob controle e melhora na demanda chinesa. O principal destaque negativo do mês foi nossa posição em Smartfit. A empresa anunciou mudanças em sua estrutura de liderança, com Diogo Corona, que ocupava o cargo de COO há 15 anos, assumindo a posição de CEO, enquanto o fundador Edgard Corona faz a transição para o conselho de administração. Outra mudança relevante foi a saída do CFO André Pezeta, que também será indicado para o conselho, com José Rizzardo assumindo o cargo após atuar na empresa como diretor. Por fim, o fundo de investimento Pátria concluiu a venda de toda a sua participação na companhia por meio de um block trade que movimentou R$ 890 milhões.

O principal destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Copel. Durante o mês a companhia divulgou resultados do 4T25 em linha com o consenso. O EBITDA ajustado apresentou um crescimento de 16% a/a, principalmente devido ao aumento da participação em ativo de transmissão, à redução dos custos gerenciáveis e aos ganhos de modulação do portfólio de geração hidrelétrica. Outro destaque positivo do mês foi nossa posição em Suzano. A companhia reportou resultado acima das expectativas para o 4T25, com EBITDA 10% acima do consenso, um novo programa de buyback equivalente a 4,6% do float e redução de capex para 2026 frente o montante de 2025. Entretanto, o destaque fica para o call de resultado, onde a empresa comentou de um mercado mais apertado de celulose para o ano, com restrição de oferta por conta da Indonésia, aumentos de preço sendo bem recebidos, estoques na cadeia sob controle e melhora na demanda chinesa. O principal destaque negativo do mês foi nossa posição em Smartfit. A empresa anunciou mudanças em sua estrutura de liderança, com Diogo Corona, que ocupava o cargo de COO há 15 anos, assumindo a posição de CEO, enquanto o fundador Edgard Corona faz a transição para o conselho de administração. Outra mudança relevante foi a saída do CFO André Pezeta, que também será indicado para o conselho, com José Rizzardo assumindo o cargo após atuar na empresa como diretor. Por fim, o fundo de investimento Pátria concluiu a venda de toda a sua participação na companhia por meio de um block trade que movimentou R$ 890 milhões.

 

Quantitativa

Desempenho mensal e atribuição de performance

No mês de fevereiro tivemos movimentos bem modestos para as duas principais estratégias do fundo, tanto Momentum quanto Valor subtraíram 0,04% do fundo. Os destaques positivos ficaram com Liquidez  (+0,74%) e Tendência (+0,24%), porém as limitações de risco tiveram um custo relevante neste mês e consumiram boa parte destes resultados. No ano, Valor ainda é o destaque, adicionando 1,27% ao fundo e Tendência ocupa a segunda posição (+0,77%). O fundo iniciou março com uma alocação líquida estável em 7,9%, mas, em termos de exposição bruta, tivemos uma relevante redução, passando de 92,2% para 82,1%.

 

Atribuição de performance e exposição

Crédito privado

Desempenho mensal

Em fevereiro ainda tivemos um volume de emissões de crédito no mercado primário abaixo de dezembro por questões de sazonalidade, tanto para os títulos “tradicionais” quanto isentos. Quando comparamos com o mês de fevereiro de 2025 e 2024, esse ano está mais fraco. O estoque de ofertas em andamento voltou a subir após cair por quatro meses seguidos, ainda se situando em um patamar elevado. As novas emissões tiveram um perfil parecido com os últimos meses (em termos de taxas e prazos). Já em relação ao mercado secundário, observou-se um volume reduzido de negociações, influenciado tanto pelo mês mais curto quanto pelo ambiente de maior cautela diante do processo de reestruturação dos passivos da Raízen. Depois de um mês de forte resgate na indústria em dezembro, os fundos de crédito privado voltaram a
apresentar captação positiva em janeiro e fevereiro. Já os spreads das debêntures tradicionais seguem, de forma agregada, em patamar estável. Destaque negativo do mês para Kora Saúde, CSN e Hapvida, enquanto positivos foram Madero, Tupy e Movida. No mês, o fundo foi negativamente impactado, principalmente, pela abertura de spread da CSN. Em contrapartida, o desempenho foi parcialmente compensado pelo fechamento de spreads da Movida. A estratégia segue a mesma, com maior seletividade de alocação, priorizando setores defensivos, evitar papéis de prazo muito longo e maior posição de caixa. Em paralelo, continuaremos desinvestindo de empresas que continuam apresentando níveis mais elevados de alavancagem e/ou dificuldade de redução do endividamento, caso haja liquidez no mercado secundário.

Data base: 27/02/2026

Data base: 27/02/2026

Data base: 27/02/2025

No mês o fundo performou em linha com o CDI, sem grandes destaques positivos ou negativos. A estratégia segue sendo alocar com maior seletividade, priorizar setores defensivos, evitando papéis de prazo muito longo e maior posição de caixa. Seguiremos evitando empresas que continuam apresentando níveis mais elevados de alavancagem e/ou dificuldade de redução do endividamento.

Alocação de ativos

Desempenho mensal

O mês de fevereiro foi marcado pela continuidade da rotação dos portfólios globais, refletindo ajustes nas alocações diante de um cenário internacional ainda desafiador. No campo geopolítico, o mês voltou a ser dominado por eventos relevantes. A Suprema Corte dos Estados Unidos julgou o mérito das tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump e decidiu por sua invalidação. A decisão representou uma derrota para o governo, que deverá recorrer a outra base legal para tentar restabelecer as medidas. Ainda no âmbito internacional, o ataque coordenado entre EUA e Israel contra o Irã resultou na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, além de importantes lideranças militares do país. Ainda há baixa visibilidade quanto à possibilidade de novos desdobramentos. A reação inicial dos mercados foi marcada pelo fortalecimento do dólar, abertura das curvas de juros e alta nos preços do petróleo e do ouro. O tema geopolítico deve permanecer como principal vetor de risco nas próximas semanas. No Brasil, os ativos locais acompanharam majoritariamente o cenário externo e os fluxos globais. Nos dois primeiros meses de 2026, o fluxo do investidor estrangeiro já supera o total observado em todo o ano de 2025 — R$ 41,6 bilhões até 25/02, ante R$ 25 bilhões no ano passado. Esse movimento sustentou uma forte apreciação da bolsa, que avançou 4,09% no mês, além do fechamento da curva prefixada e da valorização do real. Em juros nominais, o DI Jan/35 (taxa de 10 anos) apresentou comportamento lateral no período. Ao longo do mês, mantivemos o book de juros nominais zerado. Em juros reais, optamos por aumentar a duration do portfólio, buscando melhor relação risco-retorno. No mercado de crédito privado local, reduzimos a alocação. Observamos compressão relevante dos spreads negociados, o que torna outras classes de ativos relativamente mais atrativas do ponto de vista oportunístico neste momento. Na classe de multimercados, seguimos privilegiando estratégias macro e mantivemos a exposição ao longo do mês. Em um ambiente de maior abertura de prêmios de risco globais, entendemos que essas estratégias tendem a capturar melhor os movimentos táticos. Por fim, na parcela de equities, mantemos posição net long em bolsa de aproximadamente 12%, estruturada com posição comprada no veículo de ações e vendida em Ibovespa. A estratégia tem caráter tático, buscando capturar alpha de forma mais resiliente, com componente de proteção em cenários adversos.

Atribuição de performance, perspectiva e exposição

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O primeiro mês do ano foi marcado por fortes movimentos nos mercados globais. Nos Estados Unidos, o mercado de renda variável seguiu
apresentando um movimento de rotação, com melhor desempenho das ações cíclicas. O índice Russell 2000 acumulou alta superior a 5% no
período, superando de forma relevante o desempenho do S&P 500 (+1,4%). Além disso, as incertezas geopolíticas envolvendo a política externa de Donald Trump e as dúvidas em relação à condução do FED em 2026 também contribuíram para movimentos relevantes em outros ativos.
Além da forte valorização de commodities, observou-se também uma desvalorização relevante do dólar americano (-1,4%).Nos Estados Unidos, as discussões de curto prazo se concentram em entender os próximos passos da autoridade monetária, em meio às incertezas sobre o estado atual da economia, tendo também como pano de fundo o processo de sucessão da liderança. No lado econômico, as atenções ainda ficam concentradas nos sinais apresentados pela economia americana e em suas implicações para os próximos passos da política monetária.

No lado da inflação, o ambiente atual segue trazendo conforto para o Banco Central. A inflação nos Estados Unidos encerrou o ano passado com alta de 2,7%. Mais importante, a composição segue indicando baixo impacto das tarifas nos preços aos consumidores, com o segmento de bens encerrando o ano com alta de apenas 1,4% em 2025. Em termos de crescimento, mesmo diante de todas as incertezas comerciais, as expectativas seguem apontando para uma economia resiliente. O PIB do terceiro trimestre apresentou alta de 4,4% em termos anualizados, superando novamente as expectativas do mercado. Em sua composição, a resiliência do consumo das famílias chama atenção, mesmo diante dos sinais mistos que o mercado de trabalho tem apresentado, em especial a elevação da taxa de desemprego observada em 2025.

Essa combinação de um crescimento resiliente, sinais mistos do mercado de trabalho e um ambiente inflacionário confortável faz com que o Banco Central opte pela estratégia de esperar novas informações e não se comprometer em relação aos passos futuros. Em sua última decisão, conforme as expectativas, o FED manteve as taxas de juros estáveis. À frente, o presidente do FED, Jerome Powell, mostrou-se confortável com o atual patamar de juros e sinalizou que o atual estágio da política monetária permite ao FED observar os próximos dados econômicos antes de se comprometer com ajustes futuros. No entanto, outro fator fundamental para definir as expectativas em relação ao FED será a condução do novo presidente, Kevin Warsh. Em um primeiro momento, sua confirmação reforça a independência da instituição ao excluir a possibilidade da entrada de nomes politicamente mais ligados ao governo. Além disso, um nome com experiência prévia nas discussões de política monetária também reforça a credibilidade inicial do futuro presidente. De modo geral, a nomeação de Kevin Warsh elimina um risco de cauda de maior interferência política dentro do FED, mas não elimina as dúvidas sobre o atual estágio daeconomia americana, tampouco a interpretação dos dados que o futuro presidente do FED terá. Além das discussões de política monetária nos Estados Unidos, o início do ano foi marcado por fortes repercussões no campo geopolítico e nas discussões fiscais em outras regiões do mundo. A política externa agressiva de Donald Trump em relação à Venezuela e as ameaças constantes de maiores intervenções militares na Groenlândia e no Irã pressionaram as commodities de forma significativa, como o ouro (+13,3%) e o petróleo (+16,2%). Adicionalmente, o tópico de política fiscal mais ativa em diversas regiões segue mantendo as taxas de juros globais pressionadas.
O destaque ficou para as expectativas de a atual liderança japonesa conquistar uma maioria no parlamento e implementar uma política fiscal expansionista, o que pressionou os juros e influenciou uma forte desvalorização da moeda. Em suma, o cenário global segue condicionado principalmente aos desdobramentos da economia americana, mas com implicações relevantes para outros mercados. Além da discussão sobre política monetária, as decisões políticas de Trump têm surtido um efeito relevante sobre os ativos globais, como a desvalorização do dólar. A principal implicação desse movimento tem sido um maior fluxo de investimentos em busca de outras geografias e a redução das exposições ao mercado americano. Como consequência, os mercados emergentes se beneficiaram desse fluxo e iniciaram o mês com forte desempenho (MSCI EM:+8,8%).

CENÁRIO BRASIL

No cenário doméstico, os ativos locais apresentaram forte resultado. O Ibovespa avançou 12,6%, registrando o sexto mês consecutivo de alta. As taxas de juros locais recuaram no período, com os vértices curtos voltando para patamares até abaixo dos observados anteriormente ao ruído político no final do ano passado. O câmbio, por sua vez, apresentou forte valorização e encerrou o mês abaixo de R$ 5,25, com um dos melhores desempenhos em comparação aos pares globais. Boa parte do desempenho positivo teve como principal pano de fundo o fluxo de investimentos globais para mercados emergentes. Os dados compilados pela B3 registraram uma entrada de R$ 23,1 bilhões em janeiro, quase igualando a entrada total observada em 2025, de R$ 25,5 bilhões. Do lado econômico, as atenções seguem concentradas no ritmo de desaceleração da atividade, que ainda apresenta sinais de resiliência. O IBC-Br do mês de novembro apresentou alta de 0,7% na comparação mensal, após dois meses seguidos de leve queda. Essa aceleração do IBC-Br não é suficiente para alterar de modo significativo as expectativas para o crescimento de 2025, mas ainda indica sinais de um processo de desaceleração gradual da economia. Adicionalmente, o mercado de trabalho segue resiliente, com a taxa de desemprego novamente superando as expectativas do mercado e recuando para 5,1%, renovando as mínimas históricas e reforçando um quadro de mercado de trabalho ainda bastante apertado. De modo geral, a política monetária segue surtindo efeitos no desaquecimento da atividade, mas ainda de forma gradual. Mais importante, a resiliência do mercado de trabalho permanece como o principal ponto de cautela por parte do Banco Central na avaliação dos próximos passos.

Por outro lado, o cenário de inflação segue apresentando um balanço mais positivo no curto prazo. O IPCA-15 de janeiro registrou alta de
0,20% na variação mensal, resultado ligeiramente abaixo das expectativas. Em termos anuais, a inflação segue em trajetória de acomodação e permanecendo em níveis abaixo de 4,5%. Mais importante, com um balanço de riscos mais favorável para a inflação corrente, observa-se continuidade na queda das expectativas. A mediana das projeções para 2026 recuou de 4,5% na primeira metade do ano passado para 4,0% em janeiro. Esse conjunto de fatores fortalece o debate sobre o início do ciclo de cortes de juros. Em sua última decisão, o Banco Central manteve a taxa básica de juros estável em 15%, mas trouxe mudanças no comunicado que indicam proximidade com o início do ciclo de cortes. Na ata, o Banco Central ressalta a maior confiança no processo de desinflação e a menor distância das expectativas em relação à meta. Apesar das preocupações constantes com a força do mercado de trabalho, a autoridade monetária reforça que o atual estágio da política monetária permite uma estratégia de calibração do nível de juros, iniciando-se na próxima decisão.
Com isso, entendemos que a mudança de postura do Banco Central, aliada a um cenário inflacionário benigno, permite ao Banco Central iniciar o processo de flexibilização com um corte de 0,5 p.p. na próxima decisão de março.

No campo político, as atenções se voltam para as eleições de 2026 Embora ainda relativamente distantes, o potencial de alternância de poder torna o tema cada vez mais relevante para os mercados. Do lado do governo, o balanço da atual administração segue negativo. Os índices de reprovação permanecem em patamares historicamente elevados para o governo Lula, e o ambiente econômico mais favorável, com inflação em desaceleração e mercado de trabalho forte, ainda não se mostrou suficiente para uma reversão desse quadro. Por outro lado, o bloco de direita segue fragmentado e sem uma liderança clara. A candidatura de Flávio Bolsonaro ganhou corpo com a melhora recente nas pesquisas, o que o mantém como candidato relevante para as eleições presidenciais e reforça o fator de incerteza quanto ao resultado das eleições. Isso não elimina necessariamente a possibilidade de alternância de poder, mas reforça a leitura de um caminho mais turbulento até a definição eleitoral. Em suma, os ativos domésticos foram fortemente influenciados pelo ambiente externo mais favorável para mercados emergentes. Além disso, a maior clareza em relação ao início do processo de flexibilização dos juros trouxe um alívio adicional para as taxas de juros locais. No campo político, a disputa eleitoral de 2026 já se consolida como o principal tema de médio prazo, ainda marcada por incertezas quanto ao rumo da oposição e à capacidade do governo de sustentar ganhos de popularidade em um ambiente mais volátil.

Desempenho mensal por estratégia

Ações

Desempenho mensal e atribuição de performance

O principal destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Cyrela. Ao longo do período, a companhia divulgou a prévia operacional do 4T25, que mostrou queda de 33% nos lançamentos e nas vendas. Ainda assim, a sinalização da empresa para o ano permanece positiva, e a ação recuperou as perdas registradas em dezembro. Outro destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Petrobras, impulsionada pela forte entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro. Além disso, o preço do petróleo bruto avançou 13,57% no mês, refletindo o aumento das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, o que também contribuiu para o desempenho positivo das ações da companhia. No operacional, a companhia entregou produção recorde de 2,99 milhões de boe/d em 2025 (+11% a/a), com avanço relevante no pré-sal, que já representa 82% da produção total. O principal destaque negativo do mês foi nossa posição em Vivara. A empresa indicou um quarto trimestre com margens abaixo do esperado e vendas mais fracas em dezembro, o que aumentou as preocupações em relação ao ritmo de crescimento em 2026. Além disso, a forte alta no preço da prata — uma de suas principais matérias-primas — intensificou as dúvidas sobre a capacidade da companhia de repassar custos sem comprometer sua competitividade, especialmente sob a marca Life.

Desempenho mensal e atribuição de performance

O principal destaque negativo do mês foi nossa posição em Vivara. A empresa indicou um quarto trimestre com margens abaixo do esperado e vendas mais fracas em dezembro, o que aumentou as preocupações em relação ao ritmo de crescimento em 2026. Além disso, a forte alta no preço da prata — uma de suas principais matérias-primas — intensificou as dúvidas sobre a capacidade da companhia de repassar custos sem comprometer sua competitividade, especialmente sob a marca Life. Outro destaque negativo do mês foi nossa posição em Suzano. Apesar do forte rali do mercado em janeiro, a ação não acompanhou o movimento, refletindo seu perfil mais defensivo em um ambiente de maior apetite por risco. Adicionalmente, a valorização do real ao longo do mês pressionou as expectativas de resultados da companhia, considerando que quase 80% da receita é dolarizada, contribuindo para o desempenho negativo no período. A Petrobras foi o principal destaque positivo do fundo em janeiro, impulsionada pela forte entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro. Além disso, o preço do petróleo bruto avançou 13,57% no mês, refletindo o aumento das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, o que também contribuiu para o desempenho positivo das ações da companhia. No operacional, a companhia entregou produção recorde de 2,99 milhões de boe/d em 2025 (+11% a/a), com avanço relevante no pré-sal, que já representa 82% da produção total.

A Petrobras foi o principal destaque positivo do fundo em janeiro, impulsionada pela forte entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro. Além disso, o preço do petróleo bruto avançou 13,57% no mês, refletindo o aumento das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, o que também contribuiu para o desempenho positivo das ações da companhia. No operacional, a companhia entregou produção recorde de 2,99 milhões de boe/d em 2025 (+11% a/a), com avanço relevante no pré-sal, que já representa 82% da produção total.
Outro destaque positivo do mês foi nossa posição comprada em Itaú. Ao longo do período, a companhia divulgou a prévia operacional do 4T25, que mostrou queda de 33% nos lançamentos e nas vendas Ainda assim, a sinalização da empresa para o ano permanece positiva, e a ação recuperou as perdas registradas em dezembro.

O principal destaque negativo do mês foi nossa posição comprada em Vivara. A empresa indicou um quarto trimestre com margens abaixo do esperado e vendas mais fracas em dezembro, o que aumentou as preocupações em relação ao ritmo de crescimento em 2026. Além disso, a forte alta no preço da prat uma de suas principais matérias-primas intensificou as dúvidas sobre a capacidade da companhia de repassar custos sem comprometer sua competitividade, especialmente sob a marca Life.

Quantitativa

Desempenho mensal e atribuição de performance

Em janeiro, tivemos um mês de forte alta do Ibovespa, subindo 12,6%. Dentro deste contexto, tivemos um forte desempenho das estratégias de Valor e Tendência, que contribuiram para os resultados do fundo com 1,31% e 0,53%, respectivamente. Por vezes, em movimentos de forte alta dos mercados, temos movimentos negativos em Momentum, mas essa estratégia trouxe apenas uma perda modesta, de 0,09%.
O destaque negativo ficou para a estratégia de Liquidez, que subtraiu 0,75%. O fundo iniciou fevereiro com uma alocação líquida um pouco mais comprada, passando de 4,3% no início de janeiro para 7,9% agora, também com aumento de beta. Em termos de exposição bruta, tivemos uma pequena redução, passando de 93,5% para 92,2%.

Atribuição de performance e exposição                                                                                      

Crédito privado

Desempenho mensal                                                                                                                                 

Em janeiro tivemos um volume de emissões de crédito no mercado primário abaixo de dezembro por questões de sazonalidade, tanto para os títulos “tradicionais” quanto isentos. Porém, quando comparamos com o mês de janeiro de 2025 e 2024, esse ano começou mais forte. O estoque de ofertas em andamento segue caindo (quarto mês seguido), porém ainda se encontra em patamar elevado. Já a quantidade dessas
emissões distribuída à mercado ficou em linha com a média histórica e o perfil parecido com os últimos meses (em termos de taxas e prazos). Depois de um mês de forte resgate na indústria em dezembro, os fundos de crédito privado voltaram a apresentar captação positiva em janeiro. Já os spreads das debêntures tradicionais seguem, de forma agregada, em patamar estável. Destaque negativo do mês para Kora Saúde, Tupy e GPA, enquanto positivos foram CSN, Simpar e Dasa. No mês o fundo foi beneficiado pelo fechamento dos spreads de papéis como CSN e Simpar. A estratégia segue a mesma, com maior seletividade de alocação, priorizando setores defensivos, evitar papéis de prazo
muito longo e maior posição de caixa. Em paralelo, seguiremos desinvestindo de empresas que continuam apresentando níveis mais elevados de alavancagem e/ou dificuldade de redução do endividamento.

Em janeiro tivemos um volume de emissões de crédito no mercado primário abaixo de dezembro por questões de sazonalidade, tanto para os títulos “tradicionais” quanto isentos. Porém, quando comparamos com o mês de janeiro de 2025 e 2024, esse ano começou mais forte. O estoque de ofertas em andamento segue caindo (quarto mês seguido), porém ainda se encontra em patamar elevado. Já a quantidade dessas
emissões distribuída à mercado ficou em linha com a média histórica e o perfil parecido com os últimos meses (em termos de taxas e prazos).
Depois de um mês de forte resgate na indústria em dezembro, os fundos de crédito privado voltaram a apresentar captação positiva em janeiro. Já os spreads das debêntures tradicionais seguem, de forma agregada, em patamar estável. Destaque negativo do mês para Kora Saúde, Tupy e GPA, enquanto positivos foram CSN, Simpar e Dasa.
No mês o fundo performou em linha com o CDI, sem grandes destaques positivos ou negativos. A estratégia segue sendo alocar com maior seletividade, priorizar setores defensivos, evitando papéis de prazo muito longo e maior posição de caixa. Seguiremos evitando empresas que continuam apresentando níveis mais elevados de alavancagem e/ou dificuldade de redução do endividamento.

Alocação de ativos

Desempenho mensal

O mês de janeiro foi marcado por uma intensa rotação dos portfólios no cenário global. Sustentada por um ambiente geopolítico e macroeconômico altamente dinâmico, a abertura do ano foi dominada pela intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro, gerando ampla repercussão política e incertezas sobre estabilidade na região e nos mercados internacionais. No plano internacional, os Estados Unidos também ampliaram suas ações sobre territórios de interesse estratégico — incluindo declarações polêmicas envolvendo a Groenlândia — e mantiveram forte pressão sobre o Federal Reserve para redução da taxa de juros, intensificando um clima de debate sobre a independência do Banco Central norteamericano. Esse conjunto de eventos contribuiu para um enfraquecimento do dólar ao longo do mês e alimentou um movimento global de debasement trade, com forte valorização de ativos considerados proteção, como os metais preciosos — em especial ouro e prata — e outrascommodities. Paralelamente, houve abertura da curva de juros americana e fluxos positivos para os mercados acionários europeus e emergentes. Quanto à política monetária, o Federal Reserve optou por manter a taxa de juros na faixa de 3,50%–3,75% ao ano, justificando a decisão pela solidez da atividade econômica e um mercado de trabalho equilibrado, apesar das pressões políticas para cortes mais agressivos.
No Brasil, os mercados foram fortemente influenciados por esse contexto externo, contribuindo para uma apreciação relevante da bolsa (alta de 12,56% no mês), além de um fechamento acentuado da curva prefixada e de uma valorização do real frente ao dólar. No âmbito doméstico, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15%, revisando sua comunicação de política monetária de forma a abrir espaço para um corte na reunião de março. No segmento de juros, o contrato DI Jan/35 (10 anos) apresentou forte abertura de prêmios ao longo do mês, passando de 13,58% para 13,31%, refletindo o movimento de queda generalizada nas taxas longas. Em resposta, mantivemos o book de juros nominais zerado, enquanto preservamos a posição em juros reais (duration) dentro do portfólio. No crédito privado local, a alocação foi mantida estável durante o mês. Observamos um ambiente de mercado mais apertado em termos de spreads negociados, o que nos leva a considerar que outras classes de ativos apresentam oportunidades mais atraentes no ciclo atual.Em multimercados, continuamos a privilegiar a exposição em estratégias macro, que ampliamos ao longo do mês. Diante da maior volatilidade e da abertura de prêmio de risco em diversos mercados, entendemos que essas estratégias estão mais bem posicionadas para captar movimentos  irecionalmente relevantes e gerar performance ajustada ao risco. Por fim, na parcela de equities, mantemos uma posição tática net long em bolsa de aproximadamente 12%, estruturada de forma a capturar alpha de maneira resiliente e com proteção relativa — por meio de exposição comprada em veículo de ações e vendida no índice Ibovespa.

Atribuição de performance, perspectiva e exposição

 

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